Cantando nós honramos nossos mortos

Era uma vez um pastor grego que tava lá cuidando da sua vida e do seu rebanho quando foi interrompido pela chegada das Musas. E elas não saíram da parede cantando “I’m alive”, nem se pareciam com a Olivia Newton-John e muito menos andavam de patins. Aquele filme Xanadu ó, músicas ótimas, mas só mentiras.

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Eu luto pessoal e coletivo também

Eu estou acostumada a sofrer sozinha ou quase sozinha. Quando minha mãe morreu éramos só eu, Thaís e meu pai. Quando meu pai adoeceu éramos eu, Thaís e Lucas. Eram lutos tão particulares que eu demorei pra conseguir compartilhar com os outros, esses outros que não sofriam como eu, só pegavam uma dor de segunda…

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A tragédia começou na praia

Eu cresci perto da praia, tanto que nem me lembro de quando vi o mar pela primeira vez. Mesmo assim aos oito anos eu não conhecia as caravelas, as primas das águas-vivas que queimam quase do mesmo jeito. São tão bonitas aquelas coisinhas coloridas na areia, foi o que eu e minha irmã pensamos quando…

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Parece azar mas é só depressão?

Eu faço diário todos os dias. Na verdade nem todos os dias, às vezes eu fico cansada, ou o remédio pra dormir bate super rápido, o que às vezes é legal porque as entradas ficam surreais e eu dou altas risadas no dia seguinte. Daí que eu sei quando os textos começam a ficar muito…

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Nosso corpo, esse estranho conhecido

Se você pensar bem, seu corpo até pode pertencer a você, mas nem é tão seu assim. Não falo em termos jurídicos, porque o direito é uma dessas ficções que a gente cria pra ordenar um pouco o mundo. Também não falo de religião nem desse deus que por algum motivo teria pensado em você…

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Natal, bobagem!

Quando eu tinha sete anos eu comecei a desconfiar que aquela história de Papai Noel não fazia sentido nenhum. Nossa casa era completamente trancada à noite, meu pai tinha TOC (de verdade) e verificava todas as portas milhões de vezes. E nós tínhamos grades nas janelas, impossível que alguém passasse. Sobrava só mágica mesmo. Naquele…

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Tudo bem Totó, não vamos voltar para o Kansas

Eu tenho tido um sonho recorrente nos últimos meses. Não chega a ser um pesadelo, e eu não acordo gritando ou caída no chão como chegou a acontecer em outras épocas. Os detalhes do sonho mudam, mas a base é a mesma: eu estou andando na minha cidade, e as ruas não estão nos lugares…

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Encontrando fantasmas das minhas avós

A rua voltou a ser de paralelepípedos, como na minha infância. Na esquina eu vejo o terreno baldio onde hoje é uma padaria, e nas calçadas as crianças que são mães das que não brincam mais na rua. A casa da minha avó Safira fica bem no meio disso tudo, comprida e sem janelas laterais,…

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O gênero do cuidado: por que as mulheres da sua família estão exaustas?

É bem provável que exista um doente na sua família agora. Alguém que precise de cuidados constantes, vigilância, e aquele tipo de amor que só vem depois de vários sapos engolidos e muita exaustão. Talvez nem seja um doente, seja um bebê, uma criaturinha vulnerável e incrível, como só os bebês humanos conseguem ser.

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Qual o problema da solução fácil?

Ontem eu apresentei um trabalho de faculdade sobre a crise dos opióides nos Estados Unidos. Tá feia a coisa lá, tem mais gente morrendo de overdose de remédio do que morria de AIDS no auge da epidemia. Até o Prince morreu de opióide, e um dos mais fortes, o fentanil.

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