Cantando nós honramos nossos mortos

Era uma vez um pastor grego que tava lá cuidando da sua vida e do seu rebanho quando foi interrompido pela chegada das Musas. E elas não saíram da parede cantando “I’m alive”, nem se pareciam com a Olivia Newton-John e muito menos andavam de patins. Aquele filme Xanadu ó, músicas ótimas, mas só mentiras.

Segundo conta a Teogonia, um relato criado por volta de 700 a.C e que contava a origem dos deuses, essas Musas eram muito mal educadas. Pois elas chegaram pra esse pobre pastor, que supostamente se chamava Hesíodo, e disseram que pastores como ele era uma “triste vergonha de ventres solitários”.

Nesse ponto eu teria ido embora, mas Hesíoso não foi. Aí as Musas continuaram “Sabemos dizer muitas mentiras semelhantes a verdades, E sabemos, quando queremos, proclamar a verdade”. E então Hesíodo se tornou o veículo de “um belo canto”, que primeiro pertenceu à tradição oral dos aedos, os repentistas da Grécia Antiga, depois ganhou uma versão escrita, lá pelo século V a.C. E aí ele chegou até nós.

Esse belo canto, chamado de Teogonia (origem dos deuses), é atribuída a esse Hesíodo que aparece no texto. Mas é só pra facilitar a vida mesmo, porque a autoria provavelmente era coletiva, e a obra final era meio que uma colcha de retalhos de vários mitos.

O tempo dessa história é o tempo mítico, que pros gregos era meio que circular. As Musas trazem o canto porque elas conhecem tudo desde a origem do universo, e existiam de certa forma antes de serem criadas. Elas narram “o que é, o que foi e o que sempre será” e em uníssono ainda, que é pra ficar mais irritante.

São nove essas Musas, filhas de Zeus com Mnemósine, a deusa da memória de quem todo mundo já esqueceu. Zeus é pai de praticamente todo mundo da mitologia grega, era o Mr Catra daquele tempo, e ele representa o poder criador, a ordem, a iluminação. Juntando isso com o poder da memória e nós passamos a ter a capacidade de contar histórias e manter registros.

A principal das Musas é Calíope, a responsável pela poesia épica, que deveria contar os grandes feitos desses heróis incríveis e dessa galera sucesso que eram os gregos. Lembrando que os épicos eram muito importantes num contexto em que a tradição era mantida oralmente. A Ilíada por exemplo, tem mais de 15 mil versos e era cantada de boas pelos poetas sem nenhuma ajuda escrita, porque no princípio não tinha escrita.

E você aí não lembra nem o número do próprio celular.

A gente hoje tem essa ideia de “musa” como sendo uma mulher gostosa, ou aquela mulher que inspirou artista X a ser incrível, mas sem ter participação direta nisso. Pois no começo não era bem assim. Tem gente que debate ainda até onde vai a participação das Musas ou do poeta, mas ao menos na Teogonia fica meio óbvio que o poeta é um veículo, a propriedade intelectual, digamos assim, é toda de Calíope e suas irmãs.

E mais do que inspiradoras, o que as musas faziam era um trabalho de possessão A cultura grega gostava muito dessas coisas, se bem que todas as culturas gostam, até o Cristianismo, que tem o tal do Espírito Santo que inclusive sai engravidando gente por aí.

O poeta invocava a Musa em parte como fórmula mesmo, era assim que todo mundo começava o canto. Mas também era um lance meio de psicografia (ou seria psicolalia?), como se fosse Chico Chavier invocando Emmanuel ou Divaldo Franco chamando Joanna de Ângelis.

Quem já tentou escrever ficção deve ter tido essa sensação de que aquela história já existia pronta em algum lugar, e a gente só tava passando adiante. É parte do dizer mentiras semelhantes a verdades que as Musas contaram pro Hesíodo logo que encontraram com ele.

Uma dessas “mentiras” era a Ilíada de Homero, que eu também já mencionei acima. Eu sempre tive preguiça dela, porque né, glorificação de um monte de homem briguento, numa guerra, com muitos e muitos personagens nunca foi a minha ideia de história legal.

Eu gostava era da Odisseia, que eu li numa versão adaptada na escola. Aventura, esperteza, viagem, lugares bizarros, criaturas bizarras era isso que me atraía.

Eu deixei a Letras pra estudar Filosofia, porque no fundo esse sempre foi o meu sonho de princesa, desde o tempo em que me obrigaram a cursar direito. O curso por enquanto tá ótimo, eu que tô perturbada e toda hora resolvo desistir pra depois resolver voltar.

No primeiro semestre de Filosofia da UFMG a gente tem uma matéria junto com a Letras, que é de Introdução à literatura grega. A professora é incrível, a Tereza Virgínia, que conta as histórias de um jeito super teatral. Também é bom passar por essa transição antes de cortar os laços com o meu curso antigo.

Mas aí né, a gente tem que analisar a tal da Ilíada, canto por canto, desde o piti que Aquiles dá no começo da história porque lhe tomaram a escrava sexual/ namorada (?). E aí ele, o guerreiro mais poderoso, deixa o exército e vai chorar pra mamãe Tétis, divindade marinha, tal qual menino birrento de quem tomaram a bola.

E quando eu digo chorar, é chorar mesmo, Aquiles chora o tempo todo, outros personagens também, porque o choro dos heróis pros gregos não era uma coisa ruim ou sinal de fraqueza, era uma arma de persuasão.

No começo da Ilíada o poeta invoca a Musa, porque lógico, mas não pra cantar sobre Aquiles propriamente, e sim a ira de Aquiles. Olha só como aparece nos primeiros versos:

Canta-me a Cóleraó deusa- funesta de Aquiles Pelida, causa que foi de os Aquivos sofrerem trabalhos sem conta e de baixarem para o Hades as almas de heróis numerosos e esclarecidos, ficando eles próprios aos cães atirados e como pasto das aves.

Não é um “vamos mostrar como Aquiles é foda e cantar a sua glória”, e sim “olha a merda que esse fdp fez”. O exército grego (Aquivos) teve que se virar sem ele, e quando ele voltou morreu gente pra burro. Porque Aquiles voltou virado na des-gra-ça, matando inimigos às centenas, por motivos que explicarei depois.

Os gregos davam muito valor ao sepultamento correto dos mortos. Tipo, muito valor mesmo. É o assunto principal da peça Antígona, sobre a moça de mesmo nome que quer ter o direito de enterrar o irmão. No fim da peça Medéia o problema não é só os filhos de Jasão, seus herdeiros, terem sido mortos pela mãe, mas de ela ter levado embora os seus corpos, impedindo que o pai desse um destino honroso a eles.

Se o poeta diz que os corpos de muitos heróis ficaram por aí, à mercê dos cães e das aves, ele já tá dizendo desde o começo que a guerra é uma coisa injusta e insana. Nada mal pra primeira grande narrativa de guerra da cultura ocidental.

E se a história começa lembrando desses cadáveres insepultos, ela termina com um funeral digno e honroso, com tudo o que um herói daquele tempo tinha direito

E agora seguem uns spoilers de quase três mil anos.

Do lado dos gregos, como eu já falei, existia Aquiles. Do lado dos troianos tinha Heitor, objeto de desejo de 9 entre 10 mocinhas que lêem a Ilíada. Aquiles largou o exército grego, que passou maus bocados e quem acabou morrendo foi Pátroclo seu amigo e/ou namorado (depende da tradução) nas mãos de Heitor.

Aquiles volta com fogo nas ventas, mata tanta gente que até o rio reclama da quantidade de corpos que chegam, e executa, por fim, o próprio Heitor. Não satisfeito ele amarra o corpo de Heitor numa biga e sai arrastando o cadáver por aí, pra bater todos os recordes de desrespeito aos mortos.

Mas é nesse momento que vem um fato inesperado. O pai de Heitor, Príamo, rei de Tróia, vai até a tenda de Aquiles durante a noite e pede muito educadamente o corpo do filho dele de volta. E é uma cena de partir o coração mesmo.

E funcionou. Bastou Príamo lembrar do pai do próprio Aquiles pra que a máquina de matar virasse máquina de chorar.

Grande saudade do pai no Pelida [Aquiles] o discurso desperta; toma das mãos do monarca, afastando-o de si com brandura. Ambos choravam; o velho, lembrado de Heitor valoroso, num soluçar convulsivo, de Aquiles aos pés enrolado, que, ora o pai velho chorava, ora a perda do amigo dileto, Pátroclo; o choro dos dois pela tenda bem-feita ressoava.

Os últimos versos da Ilíada são dedicados aos preparativos do velório de Heitor. Aquiles garante a trégua segurando o exército grego, e até Helena faz um discurso emocionante. O poema imenso que começa com vários cadáveres insepultos termina com um herói velado como lhe é de direito. A sensação é de closure , de “fechamento” emocional, mesmo que a guerra não tenha acabado ainda (duraria mais um ano).

As Musas, essas sabiam das coisas. A gente precisa ter o direito de cuidar dos nossos mortos pra que enfim possamos ficar em paz


Quando estava em Auschwitz o então químico e futuro escritor Primo Levi tinha um sonho que sempre se repetia. Ele conseguia voltar pra casa, pra Itália, pra sua família, mas não conseguia contar o que havia lhe acontecido. As pessoas não ouviam, ou se ouviam não prestavam atenção. Na pior das hipóteses elas simplesmente iam embora.

Ele acabou descobrindo que os outros prisioneiros sonhavam a mesma coisa.

Primo Levi foi detido em 1944 e passou mais ou menos um ano no famoso campo de concentração e extermínio. A morte era tão companheira que sobreviver a ela que era uma experiência excepcional. Foram muitos os “afogados” pra usar o termo do próprio Levi, já que a ração de comida era insuficiente pra manter uma pessoa, os trabalhos eram exaustivos e as doenças variadas e oportunistas.

Os corpos iam só se amontoando, uns por cima dos outros, porque quem morreu não tem mais a pressa dos vivos. Quanto aos que foram executados nas câmaras de gás, esses eram conduzidos por outros prisioneiros judeus, o Esquadrão Especial, que ainda tinha a função de recolher o que os cadáveres tivessem de valor, dentes de ouro, cabelos, etc, pra depois queimar o resto.

Os membros de um esquadrão eram em seguida executados por saberem demais, e os poucos sobreviventes relataram sofrer mais do que os prisioneiros comuns. No livro “Os Afogados e os Sobreviventes” do Primo Levi a gente tem esse depoimento aqui:

Por certo, teria podido matar-me ou me deixar matar, mas eu queria sobreviver, para vingar-me e para testemunhar. Vocês não devem acreditar que nós somos monstros: somos como vocês, só que muito mais infelizes.

O sistema nazista buscava corromper as suas vítimas de todas as maneiras, e uma delas era justamente essa, “trazer para as vítimas o peso do crime”, fazer com que prisioneiros colaborassem na eliminação dos seus semelhantes e na violação dos seus corpos.

Os membros da SS diziam que ninguém iria acreditar nos relatos de sobreviventes. Desde 1942 circulavam de forma vaga a existência dos campos e dos massacres, mas tudo parecia tão absurdo que as pessoas preferiam simplesmente negar.

Mas a Musa, ela nunca abandonou o Primo Levi, mesmo lá no mais baixo que o ser humano pode chegar. Uma das cenas mais bonitas de “É isso um homem?”é quando Levi combina com um alsaciano, o Jean, uma troca linguística: ele ensinaria italiano em troca de ter aulas de alemão.

A Alsácia é aquela região entre a França e a Alemanha que vivia trocando de mão de uma guerra pra outra, daí que seus habitantes acabavam sendo bilíngues. Aliás, que saudade de Estrasburgo e suas ruas com duas placas.

E pra explicar o que é a língua italiana Primo Levi pensa em uma das suas obras máximas, talvez a maior. A Musa traz pra ele trechos da Divina Comédia:

“…o canto de Ulisses. Quem sabe como e por que veio-me à memória, mas não temos tempo pra escolher, esta hora não é mais uma hora. Se Jean é inteligente, vai compreender. Vai: hoje sinto-me capaz disso.”

Lembrando que Ulisses/Odisseu tava lá também na guerra de Tróia, era o esperto, o estrategista, o protagonista da Odisseia. Primo Levi também sobrevive a Auschwitz pelo intelecto, além de uma quantidade absurda de sorte, se é que se pode falar de sorte naquelas circunstâncias.

Pra declamar a Divina Comédia pra Jean Primo Levi tem que apelar pra memória, aquela memória antiga, desde antes de chegar a escrita. Papel já existia, obviamente, mas é um luxo inacessível pra quem se encontra num campo de concentração.

Assim que volta pra casa, Primo Levi fica desesperado pra escrever sobre a experiência e se torna um dos primeiros autores de memórias sobre o Holocausto (Shoá). Bilhete de trem, nota fiscal, todo pedaço de papel vale pra não deixar morrer um testemunho tão urgente.

E foi assim que Primo Levi se tornou um intelectual conhecido, autor de vários livros, e possivelmente a voz mais sensata sobre o assunto. A prática de cientista de exatas fez com que ele quisesse entender aquele fenômeno que parecia tão único, mas ao mesmo tempo tão passível de se repetir.

Primo Levi não pôde fazer muito pelos milhões e milhões de corpos que os nazistas eliminaram de um jeito ou de outro. Mas ele fez muito pra honrar suas memórias.

Tudo aquilo aconteceu um dia

E por ter acontecido, pode acontecer de novo.


No início do ano eu e um casal de amigos fomos assistir Cabaret num festival de musicais que aconteceu aqui em BH. Ficamos muito impressionados de que um filme de 1972 sobre a ascensão do nazismo pudesse ser tão familiar e falar tanto da nossa realidade.

Sério gente, assistam Cabaret, é o melhor dos mundos: muita crítica social, humor negro, Liza Minelli no auge e músicas inesquecíveis que você nunca vai conseguir parar de cantar.

Mas enfim, saímos os três do Palácio das Artes e fomos andando pela Afonso Pena até esbarrar com uma exposição sobre o Centro-Oeste num lugar que eu sempre esqueço o nome.

Entre as fotos expostas estavam fragmentos escritos por guerrilheiros do Araguaia, e aí o assunto entre nós não podia ser outro, ainda mais que a parte homem desse casal estava fazendo o serviço militar obrigatório e sabia de algumas coisas lá do lado de dentro.

Ele me perguntou se eu conhecia a música “Foi em Xambioá” que costumava ser cantada pelos militares.

Eu nunca tinha ouvido falar, então fui de Google, que me trouxe o seguinte:

Foi em Xambioá, foi em Xambioá…
no Araguaia em Xambioá
quem nunca ouviu falar
que fique agora a escutar
contos de glória que agora vou contar

Até aí só uma música sem nada de mais. Xambioá é uma cidade de Tocantins, um dos palcos da Guerrilha do Araguaia. A Musa às vezes aparece pra uma galera estranha.

Mas a música prossegue:

Ouvi os guerrilheiros lá de Xambioá
Durante muitas noites o meu nome a gritar
no intuito de me amedrontar…

Não gostei e logo revidei
dei rajadas pro inimigo perfurar
fiz emboscadas para eliminar
vi o inimigo com medo no olhar
e o desespero em sua alma a reinar
Lá havia a mulher guerrilheira
Havia a Dina, a Dina guerrilheira
Sua astúcia era de se invejar
sua liderança de admirar
informes sobre ela ninguém queria dar
mas pegadas para morte ela deixou
seu vulto traiçoeiro na mata enganou
e um preço alto a Dina pagou
Sua cabeça um Comandos arrancou!!

Essa parte doeu em mim, porque tocou numa dessas feridas coletivas não cicatrizadas. Como diz a música, havia uma mulher guerrilheira chamada Dina, na verdade Dinalva Oliveira Teixeira, baiana, geóloga, ativista do movimento estudantil e militante do PCdoB.

Ela realmente se destacou na guerrilha, chegou a ser temida pelos militares e foi transformada em lenda pelos habitantes do local. Depois de escapar de várias emboscadas acabou detida na Xambioá da música. Foi torturada, executada a tiros e seu corpo nunca foi encontrado.

Não era um combate em igualdade de forças. De um lado estavam militantes otimistas, que acreditavam na revolução que viria do engajamento de camponeses. Do outro o Estado brasileiro, representado pelo exército.

Claro que você pode argumentar que eram terroristas perigosos e que o Estado estava protegendo a população do comunismo. Mesmo assim, era o Estado brasileiro, que agia oficialmente desrespeitando convenções internacionais e tudo o que se entende por direitos humanos.

E tem a questão do corpo. O inimigo de Heitor lá na Ilíada se sensibilizou e garantiu à família dele um enterro justo. Os nazistas, por outro lado, desrespeitaram os corpos dos prisioneiros o quanto puderam e ainda queimaram tudo junto, tornando a identificação um negócio inviável.

E sim, é isso mesmo, eu estou dizendo que o Estado brasileiro agiu como os nazistas. E assim transformou em Antígonas todos nós que temos noção do horror que aconteceu, mesmo eu que nasci depois. 

Não tivemos quase nada aqui no Brasil pra curar essas feridas. Nossos ditadores e torturadores morreram de velhos, alguns até confessando todos os horrores que fizeram. A lei de anistia realmente anistiou todo mundo, dos dois lados, e jamais tivemos o consolo de um tribunal de Nuremberg ou a condenação que aconteceu na Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai.

E agora temos um presidente que vai ao Chile e elogia Pinochet, vai ao Paraguai e elogia Stroessner, e só podemos imaginar o que pode acontecer se ele for pra Alemanha.

Esse mesmo presidente há alguns dias comunicou que o Golpe de 64, isso que eles chamam de “revolução”, é pra ser comemorado oficialmente. Até o governo Dilma os militares comemoravam esse evento macabro lá do jeito deles, mas partir de um presidente, isso já é demais pra mim, é muito escárnio pra gente ignorar como só mais uma maluquice daquele pessoal.

Eles querem comemorar no dia 31 de março, e não na data verdadeira que é 1 de abril. Então tá. Eu e o Lucas vamos sair de casa de preto, mesmo que o sol esteja escaldante no domingo. Por Dina, por Stuart, por Rubens Paiva, por Vladimir Herzog, por Frei Tito, por Ana Rosa Kucinski e por todos os familiares de desaparecidos que ainda não têm respostas.

O que nos consola é que a Musa sempre dá um jeito de nos inspirar mesmo na pior das situações. Não sei se Calíope se atualizou pra trabalhar pela prosa também. Quem será a Musa responsável pelas músicas do Chico Buarque? Não sei, mas vamos encerrar esse negócio aqui com uma coisa mais bonitinha, a música que o Chico fez pra Zuzu Angel depois de ela ter sido eliminada pela ditadura.

Se existir alguma coisa depois da morte, que ela e o Stuart possam estar em paz, assim como Príamo e Heitor.

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento
Só queria lembrar o tormento
Que fez o meu filho suspirar

Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar

Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar