A “caixa da vergonha” dos meus CDs (você também tinha essas coisas?)

Nunca tive muitos CDs, mesmo na época em que era comum que todo mundo tivesse. A maioria das músicas que eu ouvia no fim da infância e início de adolescência foram gravadas de maneira artesanal em fitas K7, naquele velho esquema de colocar um dedo no play, outro no rec, e esperar a música tocar na rádio.

Eu até cheguei a comprar algumas bolachinhas na minha juventude, mas infelizmente nem todas sobreviveram até os nossos dias. Alguns tiveram suas vidas ceifadas pelo modo predatório com que foram usados pela minha irmã. Sim, Thaís, você mesma. Eu nunca vou entender como o simples fato de colocar um CD num aparelho de som envolvia estraçalhar o pobre infeliz.

Eu guardo esses remanescentes numa caixa que eu mesma fiz, colando desenhos recortados das revistas Bravo e TPM, não ficou um mimo?

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O Lucas (meu marido, pra quem não conhece) chama essa aí de “caixa da vergonha”, o que é um título muito injusto. Eu não tenho vergonha de nada do que está aí, tanto que vou mostrar pra vocês. Mas é verdade que algumas coisas dão mais orgulho que outras…

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Non! Rien de rien. Non! Je ne regrette rien.

Agora vamos aos CDs

Os Mamonas Assassinas devem ter sido a minha primeira grande paixão musical, e eu já contei aqui como chorei horrores quando eles morreram. Até hoje não perdôo meu pai por não ter me deixado ver um show deles quando a gente estava de férias em Porto Seguro, sob a alegação de que eles iriam pra nossa cidade (Itabuna-BA) três meses depois, em abril de 96. Acho que não preciso dizer que esse outro show nunca aconteceu.

Quando ao resto, em minha defesa eu tenho a dizer que só gostei de duas boy bands na  vida, Hanson e Take That (o que tem aí na foto é solo do Gary Barlow). Vindo de alguém que cresceu nos anos 90, isso é muita coisa. Legião é Legião, e só pessoas desalmadas (tipo o Lucas) passam pela adolescência sem se identificar com aquelas letras cheias de revolta e incompreensão.

Aí sobram o das Spice Girls (Girl Power!), o da Celine Dion, que eu comprei ainda sob o efeito embriagante de Titanic, e a trilha sonora da novela Zazá, que passou em 97. Aliás, foi esse CD que me levou à paixão seguinte: Aerosmith. Mais especificamente  “Hole in my soul”, que eu ouvi até fazer um buraco no disco. Literalmente. E eu fiz tanto escândalo que acabei ganhando o álbum da banda, Nine Lives.

O clipe da música é esse aí:

E essa é uma amostra da minha fase "roquenrôl"
E essa é uma amostra da minha fase “roquenrôl”

Aí nessa foto temos mais uns CDs do Aerosmith, um do Foo Fighters, um do Guns (todo mundo tem uma fase Guns n’ Roses, né não?). Mas dá pra ver que o que mais tem aí é Queen, a minha banda favorita há quase 15 anos. Na verdade desde que eu descobri que era deles “Who wants to live forever”, da trilha sonora de Highlander, filme clássico dos anos 80.

Eu preciso dizer que naquele tempo era muito difícil achar em Itabuna CDs que não fossem dos sucessos do momento. Já existia mp3 em 2000, mas a minha internet era uma carroça puxada por tartarugas. Só pude realmente ouvir esse pessoal quando achei o Greatest Hits II no Bompreço,  hipermercado que havia acabado de chegar à cidade.

E aí foi tanto amor, mas tanto amor, que até minha irmã (então com 10 anos) entrou na onda. E minha mãe, de tão preocupada com a minha “influência” no gosto musical dela, acabou comprando um CD de Sandy e Júnior pra bichinha, porque o certo era ela gostar de coisas da “idade dela”.

Eu poderia falar do Queen por muitas e muitas linhas ainda, mas acho melhor fazer um post só pra isso depois.

Nunca tive CD de outras bandas das quais eu também gostava nessa época, como Skank, Paralamas, Kid Abelha e Oasis. Os dos Beatles que eu ouvia meu pai disse que eram dele e não me deixou trazer pra cá. E aí tem todo o exército de coisas que eu ouvia mais ou menos e não entrou nessa lista também.

Agora me dêem licença que bateu uma saudade e eu vou ali ouvir “Mmmbop”.

Tá, eu confesso, vai ser “My heart will go on”.