Um casamento em 10 anos de objetos

No fim do mês passado eu resolvi trocar o colchão que eu tinha há dez anos e isso acabou sendo uma ideia bem idiota. Era o colchão de quando eu me casei com o Lucas, o nosso primeiro móvel, aquele que foi entregue a tempo enquanto que todos os eletrodomésticos atrasaram.

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Você não me ensinou a esquecer

Graças ao meu pai eu cresci tendo uma boa memória, o que torna mais irônico ainda o Alzheimer que ele tem agora. Na minha família a gente guardava rancor como quem guarda documento por cinco anos. Exceto que a regra do rancor era guardar a vida inteira. Ninguém ganhava uma briga sem lembrar de várias…

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A morte e a vida levam à Finlândia

Eu nem pensava em ir pra Finlândia antes de conhecer o Hugo, mas agora virou um desejo tão forte que eu até sonhei com isso. Hugo no caso é Hugo Simberg, pintor simbolista finlandês que viveu entre o fim do século XIX e início do XX e é considerado o grande artista do seu país,…

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Porque a morte não parou pra mim

(…) A lo sonoro llega la muerte como un zapato sin pie, como un traje sin hombre, llega a golpear con un anillo sin piedra y sin dedo, llega a gritar sin boca, sin lengua, sin garganta. Sin embargo sus pasos suenan y su vestido suena, callado como un árbol. Yo no sé, yo conozco…

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Enxergando estrias nos prédios

Aqui na minha rua tem um prédio com rachaduras superficiais que foram cobertas com massa corrida e agora parecem estrias. Eu acho legal ficar olhando pra elas, ver onde começam, até onde vão e os desenhos que vão formando no caminho. A gente nunca pensa nas nossas próprias estrias de forma positiva, são tratadas como…

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Cantando nós honramos nossos mortos

Era uma vez um pastor grego que tava lá cuidando da sua vida e do seu rebanho quando foi interrompido pela chegada das Musas. E elas não saíram da parede cantando “I’m alive”, nem se pareciam com a Olivia Newton-John e muito menos andavam de patins. Aquele filme Xanadu ó, músicas ótimas, mas só mentiras.

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Eu, meu pai e o enigma de Mrs Robinson

Se alguém me perguntasse qual o meu filme favorito, eu teria sérios problemas pra responder. Acho que acabaria nem conseguindo. Já se a pergunta fosse qual o mais querido, aquele que me faz ter um carinho especial, mesmo reconhecendo algumas falhas aqui e ali, ah, esse com certeza é A Primeira Noite de um Homem (The…

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Eu luto pessoal e coletivo também

Eu estou acostumada a sofrer sozinha ou quase sozinha. Quando minha mãe morreu éramos só eu, Thaís e meu pai. Quando meu pai adoeceu éramos eu, Thaís e Lucas. Eram lutos tão particulares que eu demorei pra conseguir compartilhar com os outros, esses outros que não sofriam como eu, só pegavam uma dor de segunda…

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