Lembrando as mortes coletivas

(…) Porque tu estás morto para sempre como todos os mortos pela Terra, como todos os mortos que se olvidam em um montão de cães que se apagaram. Ninguém já te conhece. Não. Mas eu te canto (…) Garcia Lorca- Pranto por Ignacio Sánches Mejías (Trad. Jorge de Sena) Em agosto de 1936 fascistas comandados…

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Meu pai em Meu Pai

Domingo passado eu resolvi que iria assistir a pelo menos um filme de Oscar e o escolhido foi Meu Pai (The Father, 2020) adaptação de uma peça francesa de 2014. Era o filme que faria o Anthony Hopkins ganhar o prêmio de melhor ator, frustrando a expectativa de uma grande homenagem póstuma pra Chadwick Boseman. Eu não vi…

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Um casamento em 10 anos de objetos

No fim do mês passado eu resolvi trocar o colchão que eu tinha há dez anos e isso acabou sendo uma ideia bem idiota. Era o colchão de quando eu me casei com o Lucas, o nosso primeiro móvel, aquele que foi entregue a tempo enquanto que todos os eletrodomésticos atrasaram.

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Você não me ensinou a esquecer

Graças ao meu pai eu cresci tendo uma boa memória, o que torna mais irônico ainda o Alzheimer que ele tem agora. Na minha família a gente guardava rancor como quem guarda documento por cinco anos. Exceto que a regra do rancor era guardar a vida inteira. Ninguém ganhava uma briga sem lembrar de várias…

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A morte e a vida levam à Finlândia

Eu nem pensava em ir pra Finlândia antes de conhecer o Hugo, mas agora virou um desejo tão forte que eu até sonhei com isso. Hugo no caso é Hugo Simberg, pintor simbolista finlandês que viveu entre o fim do século XIX e início do XX e é considerado o grande artista do seu país,…

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Porque a morte não parou pra mim

(…) A lo sonoro llega la muerte como un zapato sin pie, como un traje sin hombre, llega a golpear con un anillo sin piedra y sin dedo, llega a gritar sin boca, sin lengua, sin garganta. Sin embargo sus pasos suenan y su vestido suena, callado como un árbol. Yo no sé, yo conozco…

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Enxergando estrias nos prédios

Aqui na minha rua tem um prédio com rachaduras superficiais que foram cobertas com massa corrida e agora parecem estrias. Eu acho legal ficar olhando pra elas, ver onde começam, até onde vão e os desenhos que vão formando no caminho. A gente nunca pensa nas nossas próprias estrias de forma positiva, são tratadas como…

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Cantando nós honramos nossos mortos

Era uma vez um pastor grego que tava lá cuidando da sua vida e do seu rebanho quando foi interrompido pela chegada das Musas. E elas não saíram da parede cantando “I’m alive”, nem se pareciam com a Olivia Newton-John e muito menos andavam de patins. Aquele filme Xanadu ó, músicas ótimas, mas só mentiras.

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